Aos visitantes da cidade de Coimbra:
Os montes e vales da nossa cidade e aldeias vizinhas
Que nela seja derramada as águas vivas do divino!
Estou na América descrevo um poema da saudosa Coimbra
Observo Coimbra com a admiração de um turista e também como alguém
que deseja fazer muito por ela.
Percorro o mundo, como uma Cosmopolita,
Porém sempre com o pensamento nesta cidade.
Sei que não posso estar omnipresente!
Coimbra, Cidade do Conhecimento?
Ó inspiradora cidade de Coimbra,
Sempre deslumbraste turistas e autóctones!
Quando te conheci, eras para mim uma cidade perdida,
num cantinho diminuto deste planeta,
rodeada por montes e vales, aldeias, vilas
e o Roxo, que seduz no cume do monte,
com o seu venturoso pôr-do-sol.
Quando descemos, ele persegue-nos,
parece brincar, escondendo-se
nas árvores ou nas nuvens.
Apesar disso, está presente em cada recanto,
sempre atento ao gesto humano.
Vejo gotículas de bênção...
elas deslizam pelas faces rochosas
e pelas rugas dos vales verdejantes...
O rio, com os seus braços,
leva-nos a recantos férteis.
A luz dá-nos uma visão mais ampla,
a água que não pára nunca, dá-nos a vida.
Pode causar tanto as mais elevadas perdas,
como a mais franca prosperidade!
Continua descendo, arrebatadora;
Mesmo que lhe imponham um destino,
ela conhece o seu percurso.
Assim, existe muito de cíclico e de inevitável:
Crise, perda, ganho, amor, ódio, guerra e paz...
Quando se reconhece o transitório, o efémero,
as suas paisagens lembram-me
que há lugar para o eterno...
Ai, cidade do conhecimento, mas
transmutada em aspeto cinzento!
Nas tuas noites, observamos espíritos trôpegos…
Eles caminham ao longo das avenidas!
Uns sonolentos, outros stressados,
Refletem fantasmas doidos, eles arrancam árvores
Refletem fantasmas doidos, eles arrancam árvores
No lugar delas vão acrescentando cimento.
Na escuridão de Coimbra há quem segregue o seu fado;
Ao meio da tarde surge um foco reacionário!
Deixaste de ser fiel ao que se chamava sabedoria,
daí resultou a inflexibilidade de
muitos.
Fazes-me viajar por outros países,
ou apenas pela vizinhança.
Entro em estradas retas ou curvas,
levo comigo o teu especial sabor e odor fresco.
Percorro o mar, a serra, sedenta do teu amor.
Reencontro-me e volto sempre a esta cidade!
Recordo alguma jornada forçada.
Ao entrar na tua maior ponte,
aceno e sinto por ti uma refulgente vaidade
Encontro um conhecido na colorida ponte pedonal.
Por fim, surge o raiar do dia e descubro
que foram apenas furacões em pesadelos.
E, bendigo esta cidade.
Não há catástrofes!
Nem ciclones, dilúvios ou tsunamis,
por vezes, só pequenos terramotos!
Minúsculas ou grandes queimas,
algumas de fogo posto, ou
nada mais que as fitas dos estudantes.
Até quando irão permanecer?
Têm raízes profundas nesta terra!
São luminescências da noite, alguém as comparou
com a artilharia dos militares e a droga nas prisões.
Saio pela hora do poente, para ver a tua beleza,
subo às varandas e telhados da Universidade.
Inspirada nos versos de
Raul Brandão, proclamo:
"Ai de ti ó Universidade de Coimbra!
Quem subir pelas tuas
escadas,
aceitará o cerimonial
compromisso
de meditar diante do
altar sagrado?"
Subo, para com ela dizer adeus ao Sol,
Ó cidade tão querida!
Quando chegarás a ser
uma grande luz?
Antes seria preciso
deitar-te fogo?
Que nenhum dos mortais se atreva!
Essa grande luz, de onde surgirá?
Talvez com um embate
de avião na tua torre?...
O renovo então despontará?
Sim! Sei que irromperá!
Luz
Compasso
Delaware
22-02-14